Fernando Gabeira foi até Barcarena para registrar a calamidade ocorrida na mineração de bauxita, com o vazamento de uma barragem de rejeitos. A empresa nega o óbvio, tenta esconder. Por que todas as empresas de mineração procedem desta maneira?
Não deixe de assistir a reportagem.
Clique AQUI.
Blog do Professor Márcio
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quinta-feira, 15 de março de 2018
VAZAMENTO CATASTRÓFICO DE REJEITO - BARCARENA (PA)
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
POSSE DE MARIA TERESA CAMBRONIO DA ACADEMIA DE LETRAS
Em 22 de janeiro de 2017, na presença de membros da Academia de Letras do Noroeste de Minas - ALNM e de convidados, tomou posse da Cadeira 39 a poeta e escritora Maria Teresa Oliveira Melo Cambronio. Na ocasião, Maria Teresa homenageou Patrono da Cadeira 39, Anthonio Teodoro da Silva Neiva, "um dos mais proeminentes intelectuais que se instalou em Goiás, mercê de sua dedicação ao estudo da geografia, da história, da antropologia e por fim, da ciência do Direito."
Seguindo as normas da Academia, Maria Teresa foi recebida por Maria José Gonçalves, em nome dos integrantes mais antigos, expondo a sua biografia. Além de poeta, cuja atividade a credenciou para ingressar na Academia, Maria Teresa tem intensa participação na sociedade paracatuense, principalmente na área educacional. Para ler a biografia mais detalhada de Maria Teresa, clique AQUI.
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| As jovens cantoras, Cássia Ester e Leisle, abrilhantaram a noite com duas belas canções. |
Para conhecer mais sobre a vida e obra do Dr. Antônio Theodoro, clique AQUI.
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| A educadora Ruth Brochado apresenta ao público o poema de Maria Teresa em homenagem ao Patrono da Cadeira 39, Antônio Theodoro da Silva Neiva. |
“A Grande Viagem”
A vida é trem bala, como Ana Vilela descreve em sua canção
Cada qual segue escrevendo sua história mesmo repleta de derrotas e glórias
É necessário fazer a grande viagem com pompa e coragem
Assim como viajou com grandeza, Antônio Theodoro da Silva Neiva
Ainda menino se tornou professor
Embalado e encantado pela ciência se especializou em apicultura
Deliciando os momentos doces da grande viagem
Ótimo filho e irmão, exímio Advogado-juiz, marido, pai e avô.
Na solidão da viuvez e na senilidade concluiu sua obra prima, “Antropologia Goiana” que nesse ponto da viagem acelerou.
Homem de fé e coragem, não brilhou por escolhas caras.
Destacou-se pelas escolhas raras!
Advogado e juiz de sua própria história ostentou apenas as escolhas raras
É como diz a canção, a vida é trem bala, precisa-se fazer a grande viagem
Assim como fez Antônio Theodoro, o professor, advogado, escritor e juiz
Viajou com virtude, honradez e excelência em todos os lugares em que viveu
Theodoro contemporaneamente viaja na companhia de Deus!
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
ALICÉRIO HONORATO
Na
noite 01 de dezembro, sexta-feira, o novo escritor paracatuense Alicério
Honorato lançou seu livro de poesias Andanças. Alicério, com a calma que parece
lhe ser peculiar, esgotou a tiragem inicial do livro, dando autógrafos para uma
multidão.
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| Alicério autografa para a jornalista Uldicéia Kaiowá, enquanto Maria Teresa Cambronio lê um dos poemas do autor. |
Nunca
vimos a casa da Academia de Letras tão cheia! Mesmo com a ameaça de chuva, que
afinal não caiu, as pessoas, de todas as idades, ali chegavam como quem chega
para abraçar um amigo. Nós, que não conhecíamos Alicério, também ficamos surpreendidos
por sua simpatia, cordialidade e tranquilidade. Algumas pessoas ali presentes
afirmavam: ele é uma figura!
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| A presidente da ALNM Helen Pimentel, e o vice-presidente Márcio Santos no evento do lançamento do livro Andanças, de Alicério Honorato. |
Alicério teve pouca escola, de maneira que precisou
contar com a ajuda de sua irmã, que transcrevia o que ele ditava. A acadêmica
Maria Teresa Cambronio colaborou na revisão. Embora ele próprio se julgue um matuto,
sua poesia é de excelente qualidade.
O poema inicial do livro, com o qual homenageia sua
primeira neta, que estava para nascer, dá mostra do valor poético de Alicério.
Vejamos a primeira estrofe!
Espera
Onde andas, pequeno
ser que demoras
Dar o ar de sua graça?
Espero-te a cada pôr
do sol em uma destas tardes
Em que o vermelho
poente com toda certeza toca nossa imaginação.
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| A fila de espera dos autógrafos se estendeu além do salão e, durante mais de duas horas, Alicério autografou pacientemente e ofereceu um mimo a cada pessoa presente. |
Nem só de doces encantos fala Alicério. Na Apresentação
do livro, Maria Teresa Cambronio afirma: “O autor é corajoso e preciso em suas ideias,
evidencia em seu poemas, além da fé e do amor a Deus, temas ligados aos
problemas de seu tempo, como: preconceito, injustiças, desvios de dinheiro
público, violência, insegurança etc.”
Ficamos sabendo que Alicério tem mais de 100 crônicas
não publicadas. Talvez um dia ele se decida a nos revelar um outro aspecto de
sua capacidade literária.
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
EMPRESA FRANCESA POLUIU A PRINCIPAL FONTE QUE ABASTECE PARACATU
Grande parte da cidade de Paracatu - MG ficou dois dias sem água. A explicação da Copasa é que as chuvas teriam levado muita lama para o Ribeirão Santa Isabel, que abastece a cidade, havendo necessidade de interrupção do bombeamento para manutenção. Foi esta a explicação que obtive no posto de atendimento da Copasa em Paracatu.
Na manhã de segunda feira, 27/11/2017, o programa Rota do Crime, recebeu uma grave denúncia dando conta de poluição no Ribeirão Santa Isabel, que poderia ser a principal causa do interrompimento do abastecimento de água potável em toda cidade. A equipe deslocou-se até a zona rural e constatou que uma grande quantidade de terra vermelha estava sendo diretamente lançada ao Ribeirão.
A empresa Solaire Paracatu, de capital francês, está implantado um sistema de geração de energia fotovoltaica, a qual será "exportada" para a rede da CEMIG. Durante o serviço de terraplanagem, para a instalação de placas solares, ela teria empurrado o material removido diretamente para as margens do Ribeirão, provocando os danos ambientais, degradando a bacia hidrográfica e prejudicando toda a população de Paracatu.
A Polícia Ambiental de Paracatu tomou as providências pertinentes, autuando a Solaire e dando voz de prisão a Júlio Augusto de Melo Lima, engenheiro eletricista, e ao eletrotécnico, Cláudio Cunha Garcia, pelos danos ambientais causados em Área de Preservação Permanente.
Como é notório, Paracatu ficou em estado de emergência devido à falta d'água durante a estiagem. O município já tem a bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Rita entupida e poluída (para sempre) pelos rejeitos de mineração aurífera da Kinross; agora sofre o impacto de mais uma agressão ambiental direta. Os acionistas dessas multinacionais não tomam conhecimento dos processos de degradação humana e ambiental que vivemos; para eles, interessam os ganhos do capital investido.
Na manhã de segunda feira, 27/11/2017, o programa Rota do Crime, recebeu uma grave denúncia dando conta de poluição no Ribeirão Santa Isabel, que poderia ser a principal causa do interrompimento do abastecimento de água potável em toda cidade. A equipe deslocou-se até a zona rural e constatou que uma grande quantidade de terra vermelha estava sendo diretamente lançada ao Ribeirão.
A empresa Solaire Paracatu, de capital francês, está implantado um sistema de geração de energia fotovoltaica, a qual será "exportada" para a rede da CEMIG. Durante o serviço de terraplanagem, para a instalação de placas solares, ela teria empurrado o material removido diretamente para as margens do Ribeirão, provocando os danos ambientais, degradando a bacia hidrográfica e prejudicando toda a população de Paracatu.
A Polícia Ambiental de Paracatu tomou as providências pertinentes, autuando a Solaire e dando voz de prisão a Júlio Augusto de Melo Lima, engenheiro eletricista, e ao eletrotécnico, Cláudio Cunha Garcia, pelos danos ambientais causados em Área de Preservação Permanente.
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| Imagem do Ribeirão Santa Isabel, que fornece 70% da água consumida em Paracatu, após o desastre ambiental provocado pela empresa de capital francês Solaire Paracatu. |
Como é notório, Paracatu ficou em estado de emergência devido à falta d'água durante a estiagem. O município já tem a bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Rita entupida e poluída (para sempre) pelos rejeitos de mineração aurífera da Kinross; agora sofre o impacto de mais uma agressão ambiental direta. Os acionistas dessas multinacionais não tomam conhecimento dos processos de degradação humana e ambiental que vivemos; para eles, interessam os ganhos do capital investido.
terça-feira, 21 de novembro de 2017
SEMANA GUIMARÃES ROSA - OS AVESSOS
Na programação da Semana Guimarães Rosa, da Academia de Letras do Noroeste de Minas foi apresentada em sessão única no dia 19 de novembro, às 20 horas, no Auditório da EE Antônio Carlos, em Paracatu – MG, a peça Os Avessos, do Grupo Arte & Fatos, a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).
Trata-se de uma adaptação do conto Sorôco, Sua Mãe, Sua Filha, de João Guimarães Rosa, com direção e dramaturgia de Danilo Alencar, trazendo no elenco os atores André Larô, Taís Monteiro, Leopoldo Rodrigues e Rita Alves.
Segundo o diretor Danilo Alencar, a obra de Guimarães Rosa, com suas personagens criadas de forma genial, “nos remete a um mundo povoado por pessoas invisíveis na perspectiva da sociedade. São vistos, mas não são enxergados. Sorôco, como tantos, não tem opção. Após anos de luta tentando administrar a loucura da mãe e da filha se vê obrigado a despachá-las de trem para um hospício”, afirma. A narrativa, segundo ele, é feita, por uma personagem que presenciou no passado, em uma estação, o embarque das duas.
“A catarse acontece quando o espectador se junta a outras pessoas reunidas na estação para o último adeus às duas criaturas, numa viagem sem volta, rumo ao Hospício de Barbacena. Elas não mais pertencem ao pseudo mundo "normal", explica o diretor. Vale saber a que lado elas pertencem, afinal: quem são os loucos, quem são os sãos? Quão distantes estão de nós? Pois, “a loucura enche os vazios da vida, solta fogos de artifícios, escancaram os horizontes”.
O público presente encantou-se com a performance do Grupo Arte & Fatos, aplaudindo de pé o elenco.
Para assistir ao vídeo deste evento, clique AQUI.
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sexta-feira, 17 de novembro de 2017
O GLIFOSATO PRODUZ ALTERAÇÕES NO DNA
Entrevista com Siegried Knasmüller, toxicologista
IHU
Os Estados membros da União Europeia, reunidos na quinta-feira, 9 de novembro, no Comitê Plantas, Animais e Alimentos, não conseguiram obter maioria sobre proposta da Comissão Europeia para renovar a licença de uso do glifosato por mais cinco anos. E isso quando a licença para o herbicida, que entra na composição do famoso Roundup da Monsanto, expira no dia 15 de dezembro.
Reconhecido internacionalmente por seus trabalhos em toxicologia genética, Siegfried Knasmüller, pesquisador do Instituto de Pesquisa sobre Câncer de Viena, oferece uma visão científica sobre esta questão. Segundo ele, o parecer emitido pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e pela Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA), concluindo que o glifosato não é cancerígeno e não genotóxico, não é sério. O próprio Siegried Knasmüller fez pesquisas in vitro que demonstram o efeito nocivo do glifosato.
A entrevista é de Cédric Vallet, publicada por Alternatives Économiques, 09-11-2017. A tradução é de André Langer.
Eis a entrevista.
O senhor é toxicologista em Viena. O senhor pode nos explicar que conclusões tira dos seus trabalhos sobre o glifosato?
Eu trabalho no Instituto de Pesquisa sobre Câncer de Viena e me especializei em toxicologia genética. Eu estudo a genotoxicidade, portanto, as lesões que afetam o patrimônio genético, o DNA, e que podem ser mutagênicas (causar mutações; nota do editor). Esses danos podem estar na origem do câncer. Eu mesmo consagrei vários trabalhos aos impactos do glifosato sobre o DNA. Nós fizemos estudos in vitro em células epiteliais bucais (células derivadas da boca).
O que constatamos foi muito claro. O glifosato sozinho (e o round up ainda mais) é citotóxico: ela danifica as células. E ele é genotóxico: deforma o DNA. Este experimento revelou danos cromossômicos que favorecem o desenvolvimento de cânceres. Mesmo em doses muito baixas, existe um risco provável de que a inalação, através da pulverização, cause câncer nos órgãos do sistema respiratório. Mais experimentos deveriam ser realizados em trabalhadores nos locais de produção de glifosato para chegar ao fundo da questão. Mas nenhum estudo válido foi realizado nas plantas industriais, o que ajudaria a compreender melhor o aumento dos riscos de câncer associados ao glifosato.
Como explicar que as agências europeias, a EFSA e a ECHA, concluem que o glifosato não é nem cancerígeno nem genotóxico?
A EFSA, no relatório do Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos (BFR), considerou apenas um espectro muito estreito de estudos. Eles basearam sua decisão em testes muito específicos, definidos pela OCDE, que avaliam os efeitos mutagênicos do glifosato em células retiradas da medula espinhal de ratazanas ou ratos. Esses testes têm resultados negativos em muitos estudos, mas outros experimentos com animais indicam danos no DNA de células de outros órgãos.
Experimentos in vitro com células derivadas de fígado indicam, por exemplo, que este órgão pode ser afetado pelo glifosato, mas nenhum estudo em animais foi então realizado para esclarecer esses dados.
O glifosato vem sendo estudado há 40 anos. Muitos trabalhos acadêmicos indicam uma relação entre o glifosato e o câncer. Mas eles não foram levados em consideração. Há, por exemplo, cerca de vinte estudos realizados com pessoas expostas ao glifosato, principalmente trabalhadores agrícolas. A maioria deu resultados positivos. O DNA dessas pessoas tinha sofrido lesões. Mas a indústria não considera esses trabalhos como confiáveis sob o pretexto de que as pessoas em questão foram expostas a outros componentes. Seria necessário pelo menos fazer estudos adicionais com pessoas que estiveram mais em contato com o glifosato.
A Monsanto tentou influenciar o debate científico…
O que aconteceu nos últimos anos é muito desafiador. A Monsanto pagou bons cientistas, como Gary Williams ou David Kirkland, para escrever “revistas”, isto é, compilações de estudos sobre a periculosidade do glifosato. Essas compilações induziram os leitores ao erro, porque criticavam apenas os estudos que estimavam que o glifosato era cancerígeno.
Por sua vez, os dossiês submetidos às autoridades pelas empresas que comercializam produtos à base de glifosatocontinham estudos encomendados pela indústria e cujos dados eram secretos. Estes estudos não são publicados na literatura científica. Eles não são revisados pelos pares.
O senhor acredita que os membros das agências europeias ou do BFR sofreram pressão para sentar as bases para renovar a licença de uso do glifosato?
Pressões… eu não sei. Penso que todo o processo de classificação e avaliação de riscos em nível europeu está longe de ser ideal, porque depende muito dos dados fornecidos pela indústria. E, no entanto, o BFR, na origem das conclusões da EFSA, é um instituto muito respeitado. Mas eles são humanos e, como todos nós, podem cometer erros. À medida que os conhecimentos científicos se desenvolvem, ou você admite ter cometido um erro, ou você persiste até o fim. A deles, é essa última opção, por enquanto. Em 2015, o CIRC [Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, agência especializada da Organização Mundial da Saúde] considerou que o glifosato era “provavelmente cancerígeno”. Essa é, para mim, uma classificação muito melhor, baseada em estudos científicos, revisados por pares.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
A POLÍTICA DE AUSTERIDADE DESTRÓI A ECONOMIA
Que lições podem ser aprendidas sobre o impacto das crises econômicas na saúde das pessoas? O uso de evidências científicas está sendo decisório no processo de construção de políticas públicas? Como mitigar os efeitos negativos das crises para a saúde? Estas e muitas outras questões foram colocadas pelo professor David Stuckler, na noite da segunda-feira, dia 9, no 10º Congresso Brasileiro de Epidemiologia da Abrasco, em Florianópolis.
Stuckler, professor de Economia Política na Universidade de Oxford e que mais recentemente passou a integrar o quadro docente do Departamento de Análise Política e Gestão Pública na italiana Universitá Bocconi – começou sua apresentação com uma fotografia da violência imposta pela polícia espanhola aos manifestantes pela independência da Catalunha: -“Este exemplo de ataque à democracia aconteceu esta semana”. A próxima imagem mostrava um Donald Trump sorridente e David comentou: – “No meu país (David é norte-americano) vimos a ascensão de um líder demagogo que não tem tolerância pelos direitos de gênero, igualdade e, claro, pelos pobres. Recentemente quando o furacão Maria arrasou Porto Rico, numa série de tuítes, Trump atacou a prefeita da capital San Juan, Carmen Yulin Cruz, por criticar o governo de Washington por sua falta de resposta aos estragos provocados pelo furacão. Cruz afirmou que o governo dos EUA ‘está nos matando com sua ineficiência’. Em sua réplica, Trump fustigou a ‘medíocre capacidade de liderança da prefeita de San Juan e outros em Porto Rico que não conseguem que seus trabalhadores ajudem’. E é aqui que a Epidemiologia é criticamente importante: os políticos estão atacando aqueles que ficam na linha de frente. Estão me atacando também. Trump teve coragem de culpar as vítimas de Porto Rico pelo déficit norte-americano e chegou a dizer ‘Porto Rico, vocês estão atrapalhando nosso orçamento’, explicou David.
“Meu trabalho começa com os princípios fundamentais de que a saúde precisa acontecer nas comunidades e não nos consultórios médicos, acontecer onde vivemos, trabalhamos, brincamos e descansamos: o CEP é um dos fatores mais poderosos para a saúde. Hoje, na voz dos epidemiologistas está a voz dos marginalizados, daqueles que sofrem pelas forças poderosas que vão muito além do seu controle. Estamos vivendo um momento da história em que esta voz da epidemiologia é mais necessária”, disse o pesquisador.
O pesquisador disse a seguir que iria compartilhar o que tem aprendido com os números da Europa e EUA pois sabe que o Brasil está adentrando neste caminho, ele mostrou um gráfico com os dados da recessão brasileira e ainda a capa de uma reportagem do Washington Post de dezembro passado – Brazil passes the mother of all austerity plans. “Soubemos então que o Brasil era agora a mãe de todos os planos de austeridade, com cortes gigantescos, numa escala que nunca vimos na Europa até agora. Acredito que uma das coisas mais importantes que podemos fazer é desmistificar e mostrar as mentiras que são ditas pelos governos. Tenham muita atenção aos constantes ‘Não há alternativa, só a austeridade”, pediu David.
Stuckler mostrou gráficos com o atual posicionamento do FMI diante da austeridade “We underestimated the negative effect of austerity on employment and spending power” diz o artigo Growth Forecast Errors and Fiscal Multipliers, de Olivier Blanchard e Daniel Leigh. O Fundo Monetário Internacional já foi um dos maiores defensores da austeridade mas mudou bastante de opinião. Neste artigo eles fizeram uma avaliação da situação da Grécia onde, imaginavam eles, após 8% de cortes em investimentos haveria um crescimento de 4%, entretanto tal crescimento não aconteceu. Então eles decidiram que o melhor seria cortar mais ainda: e cortaram, mas a economia continuou afundando: – “Foi aí que eles se deram conta de que havia um erro no modelo deles e voltaram a examinar o multiplicador fiscal (que nos mostra qual o retorno econômico para cada dólar gasto) e souberam que na Grécia, durante a recessão, para cada dólar gasto o retorno era de 1,7 dólares! Então no final de 2013 o FMI declarou que na crise o importante é investir e demos um passo além, pois mesmo que os políticos decidam pelos cortes existem agora evidências que mostram qual é a melhor forma de fazer isso: diante de qualquer cenário, protejam o orçamento universal de saúde e educação. Infelizmente não é isso que tem acontecido, na verdade é o oposto que tem acontecido”, disse Stuckler.
David mostrou então como se deu o início dos cortes em saúde por toda a Europa e fez um alerta: -“Nós, epidemiologistas, precisamos entender estes dados econômicos porque no final desta cadeia, está a vida das pessoas. Pois mesmo que toda esta informação econômica pareça muito distante da Epidemiologia, é preciso e é urgente documentar todos estes danos causados pela austeridade. Ainda na Grécia, um jornalista perguntou ao ministro da Saúde se eles realmente teriam coragem de cortar em 40% o orçamento da saúde. É claro que as consequências foram previsíveis. Num artigo que publicamos no Lancet há poucos dias, documentamos um número muito alto da mortalidade infantil na Grécia. Um sinal que o acesso à saúde estava despencando – é como se a saúde pública na Grécia fosse um barco e de repente o governo começasse a enfiar várias lanças no casco e a começasse a afundar a embarcação”, comparou David.
O professor disse então que todos os números comprovam o sofrimento da Grécia: – “E diante disto começamos a documentar todo o impacto da austeridade. Sem os dados, os danos ficariam ocultos e o debate público não teria acontecido. Mas aviso: quando vocês começarem a documentar todos os danos que a austeridade causa na saúde da população, serão atacados, preparem-se. Também fizemos um mapa dos bancos de alimentos que existem no Reino Unido e que até pouco tempo não existiam. Estes bancos se proliferaram no Reino Unido e os ministros conservadores dizem que eles surgiram 'Porque as pessoas não conseguem administrar suas finanças' – um padrão que temos observado nas políticas de cortes, as vítimas são sempre as culpadas. Precisamos, e devemos, enquanto epidemiologistas documentar esses dados. Mas não basta só documentar, temos que buscar uma narrativa alternativa , uma voz diferente para pintar esse quadro de alternativas verdadeiras, é uma das coisas mais importantes que nós, epidemiologistas, podemos fazer. Para o triunfo do mal só basta que homens e mulheres do bem não façam nada”, arrematou David.
Texto obtido em: ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva
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