Blog do Professor Márcio

Seja bem vindo. Gosto de compartilhar ideias e sua visita é uma contribuição para isto. Volte sempre!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Mariana - um ano de impunidade

Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realiza agenda de atividades – Um ano de impunidade do crime da Samarco em Mariana (MG)


Estimados(as) parceiros(as) e amigos(as).
O Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB vem através deste, convidá- lo, bem como a sua entidade, a participar e ajudar a divulgar as atividades que serão realizadas na região de Mariana – MG (Bacia do Rio Doce) de 31 de outubro a 5 de novembro de 2016, marcando um ano do Crime da Samarco, dentro da “Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo”.
É conhecido por todos o crime ocorrido em 5 de novembro de 2015, com o rompimento da barragem de rejeitos da mineração da empresa Samarco (Vale – BHP, causando uma das maiores tragédias socioambientais da historia do Brasil. Destruindo comunidades inteiras, roubando vidas, interferindo no modo de produção tradicional da região, inviabilizando a pesca e tornando um rio totalmente morto. Se analisarmos a perspectiva de construção de relações entre homem e a natureza na promoção de um espaço harmônico ao desenvolvimento saudável e sustentável os impactos na dinâmica social e ambiental de toda Bacia do Rio Doce são graves e imensuráveis.
A luta pelo reconhecimento dos direitos dos atingidos por barragens é histórica, sendo ampliada com o aumento das barragens na Amazônia e com o crime na bacia do Rio Doce em Minas Gerais. Diante dessa situação, e do cenário de retrocesso de direitos do país, se coloca ao MAB a tarefa de construir ainda mais força e unidade nacional para denunciar as violações aos direitos humanos e defender os sujeitos históricos oprimidos para que sigam lutando para proteger seus direitos em defesa da vida.
Desde o primeiro momento após o rompimento da barragem, o MAB tem feito um grande esforço com o objetivo de denunciar o crime, cobrar dos responsáveis (empresas e governos) soluções e acima de tudo acreditar que só os atingidos organizados e em luta podem garantir seus direitos, mesmo que as condições entre atingidos(as) e empresas sejam desiguais. Passado quase um ano, nós não tivemos resoluções, segue a impunidade.
O MAB, juntamente com outras organizações, em um esforço grandioso, está organizando uma marcha, seguida por um encontro e um grande ato no marco do um ano do crime, com o objetivo de continuar denunciando e fortalecer a necessidade da luta e organização dos atingidos para garantir direitos e celebrar a memória dos mortos.
Programação das atividades:
1. MARCHA DE REGENCIA/ES A MARIANA/MG – Saída de Regência dia 31/10 chegada em Mariana dia 2/11. Percorrendo o caminho da lama ao contrário. O trajeto desta marcha tem por objetivo dialogar com a sociedade nos diversos municípios afetados, fazendo panfletagens, conversas com as pessoas, debates em escolas, audiências publicas sobre o crime e o momento atual.
2. ENCONTRO/SEMINÁRIO EM MARINA/MG – dias 3 e 4/11. Durante estes dois dias será feito um amplo debate sobre as verdadeiras causas do crime, a situação de tratamento aos atingidos, ouvindo especialistas, parceiros, apoiadores e os atingidos.
3. ATO PÚBLICO EM BENTO RODRIGUES/MG – (distrito de Mariana inteiramente destruído) no dia 5/11. Este dia será de protesto aberto para afirmar que: “Bento Rodrigues pertence aos moradores e não a Samarco”. Será o momento de fazer um grande ato em memória às vidas que foram roubadas pelo crime e reforçar a solidariedade da luta dos atingidos.
Frente à gravidade da situação, convidamos as pessoas e organizações para fortalecer laços de solidariedade em torno da luta por direitos e denunciar as empresas responsáveis. Portanto, é da máxima importância contar com sua participação, apoio em ajudar na divulgação e somar esforços em construir condições firmes de prosseguirmos com a luta e a organização.
As atividades serão organizadas de forma que os participantes possam acampar. Mais adiante forneceremos mais orientações sobre a infraestrutura e logística conforme formos recebendo confirmações, por ora, apontamos que para aqueles que desejam participar da Marcha, a melhor opção de chegada é no aeroporto de Vitoria/ES. Quem só vai ao encontro em Mariana e o retornar de lá, a melhor opção é o aeroporto de Belo Horizonte/MG.

Grande abraço
Coordenação Nacional do MAB
Mulheres, águas e energia, não são mercadorias!

O MOVIMENTO PELAS SERRAS E ÁGUAS DE MINAS apresentará a seguinte programação:

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Aos meus alunos!

Quero lhes dizer algumas palavras, tomadas da minha experiência de vida. Todos nós construímos nossas experiências, e nenhuma é melhor do que a nossa. Sei que a experiência de cada um de vocês será melhor do que a minha ou de qualquer outro, simplesmente porque ela é de vocês, construída com alegrias e dores, sonhos e desilusões, que somente a gente entende. Entretanto, gostaria de compartilhar alguma coisa que possam refletir sobre ela. É sobre o Amor... sobre o amor a uma profissão.

Parece uma coisa simples, mas é tão complicada que muitos andam à procura e não a encontram. Há um tanto de gente desiludida com a profissão, mesmo as que são melhor remuneradas.

Acontece que ao escolher a profissão a gente não se consulta, para saber aquilo que alegra a nossa alma. Ao invés disso, consultamos o mercado, o “deus mercado”,  para saber as possibilidades de ganho financeiro. Daí, tudo fica complicado, porque ao abraçarmos uma profissão pegamos um pacote de coisas que gostamos e de que não gostamos. Então, é preciso que neste pacote existam em grande quantidade coisas que gostamos, para justificar poucas coisas que não gostamos. Só a nossa alma tem a resposta!

Ora, seria bom que a gente soubesse de antemão o que existe nesse pacote. Temos prazo de alguns anos, durante a graduação, para tomar conhecimento de um pouco do conteúdo, mas tomar conhecimento não é o mesmo que vivenciar. E a escola oferece pouca vivência dos conteúdos profissionais, não é mesmo? Assim, é fundamental, durante a graduação, fazer um estágio em uma empresa ou repartição pública que atua na área que escolhemos, e fazer que esse estágio seja mesmo profissional-acadêmico, e não apenas ficar tirando xerox para o chefe. E também aproveitar os raros trabalhos práticos e trabalhos de campo, para a gente avaliar o nosso grau de prazer dessa vivência.

Porém, amar uma profissão não é coisa que acontece da noite pro dia, pode levar anos. Assim como amar realmente uma pessoa leva anos: no princípio, é só paixão, que se desvanece com os anos, com os atritos, com as adversidades. O amor, se realmente for Amor com A maiúsculo, funciona ao contrário: ele cresce com os anos, com os atritos, com as adversidades. Mas, é difícil fazer que ocorra assim, é preciso ter paciência, tolerância, perdão e não ficar com expectativas, porque as expectativas geralmente trazem trustração. Ao invés de esperar, criar expectativas, a gente se doa; quando a gente doa, recebe de volta. Quanto mais você se doar a uma profissão, mais vai amá-la!


Você está apaixonado pela profissão que escolheu? Se não estiver, não é problema. Um dia poderá amá-la. Mas é uma coisa maravilhosa quando o amor começa com a Paixão para se transformar em Amor. Desejo-lhes isto na profissão que escolheram... e também na vida.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Quem está se importando com a tragédia humana na Síria?

Aleppo, Síria: “A cidade está sendo devastada diante dos nossos olhos”

11/10/2016
Coordenador de MSF para a Síria, Carlos Francisco descreve uma destruição nunca antes vista 
na cidade e fala das necessidades urgentes da população local.


“Eles foram abandonados pelo mundo – o mundo inteiro está assistindo à destruição da cidade, mas ninguém está fazendo nada para acabar com isso”, diz o coordenador para a Síria da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), Carlos Francisco.

Francisco coordena os projetos de MSF na Síria desde janeiro de 2015. Ele testemunhou como a guerra na Síria se deteriorou, com a destruição chegando a uma escala nunca vista antes, especialmente durante as últimas três semanas, na área leste de Aleppo. Desde que o cessar-fogo foi rompido em setembro, a intensidade dos ataques aéreos realizados por forças sírias e russas ameaça destruir totalmente a área sitiada da cidade.

“Cerca de 250 mil pessoas estão sob sítio, sem possibilidade de receber ajuda ou escapar”, diz Francisco. “Primeiro, os arredores foram atingidos, depois as estradas que levam à cidade, e então hospitais, reservatórios de água, bairros residenciais, equipamentos de resgate. Estamos falando de uma cidade exausta depois de cinco anos de guerra, que não recebe nenhuma ajuda desde julho, quando o sítio começou – uma cidade que está sendo devastada, arrasada, diante de nossos olhos. ”

Francisco fala do sul da Turquia. Sua equipe está em contato regular com os oito hospitais apoiados por MSF no leste de Aleppo. “Antes de o sítio começar, mandávamos suprimentos a cada três meses”, diz Francisco, “mas ainda não era o suficiente para suprir suas necessidades, nem mesmo com a ajuda de outros parceiros. Quando hospitais são danificados por ataques aéreos – e somente nos últimos quatro meses houve 23 ataques a hospitais –, ficamos em contato diário para saber como foram afetados e como podemos ajudar. Agora, eles precisam de tudo. Nos dizem: ‘Mandem qualquer coisa que tenham – gaze estéril ou não estéril – aceitamos tudo, precisamos de tudo’. Mas, nas atuais circunstâncias, estamos impotentes para ajudá-los.”

O leste da cidade está sob cerco total desde julho, logo depois do fim do mês do Ramadã. Alguns médicos aproveitaram aquela oportunidade para acompanhar suas famílias em viagens à Turquia durante o Ramadã, e depois se viram sem ter como voltar a Aleppo. “Ficar aqui no sul da Turquia e é muito difícil para eles”, diz Francisco. “Eles sofrem por não poder retornar para ajudar – se sentem frustrados e impotentes. Muitos médicos poderiam ter fugido da guerra há muito tempo para se estabelecer na Turquia ou na Europa, mas eles decidiram não fazer isso. Seu nível de comprometimento – com as pessoas, com seu trabalho, com seus hospitais, com Aleppo – é admirável, especialmente se considerarmos que eles e suas famílias estão face a face com a morte diariamente.”


Equipes de MSF estão impossibilitadas de viajar até Aleppo e visitar os hospitais apoiados por MSF há mais de um ano. “O que fica claro é que perdemos nossa capacidade de ajudar de forma considerável”, diz Francisco. MSF não foi autorizado a trabalhar em áreas controladas pelo governo desde o início da guerra, mas pôde atuar em áreas sob controle da oposição, inclusive em áreas rurais ao norte e a leste de Aleppo: Maskan, entre Aleppo e a fronteira turca, e Al Salamah, onde mantém um hospital que oferece cuidados primários e secundários de saúde.

MSF também prestou ajuda a pessoas deslocadas pela guerra. Cerca de 100 mil pessoas tiveram que deixar suas casas na direção de Azaz, empurradas a oeste pelo Estado Islâmico e a norte pelas forças do governo. Desde que o exército sírio tomou a cidade de Maskan e seu hospital foi danificado por disparos de artilharia, a área de atuação de MSF ficou ainda mais limitada. “Pessoas nos arredores de Maskan também foram deslocadas e perdemos o acesso a elas”, diz Francisco. “É difícil saber quantas pessoas deslocadas estão ali. Alguns foram para Idlib, que tem mais acampamentos para pessoas deslocadas, mas muitas pessoas estão vivendo ao relento e dormindo debaixo de árvores.”

Os residentes do leste de Aleppo não têm nem a opção de se tornarem deslocados. Em vez disso, se encontram presos em uma cidade que resume os horrores da guerra na Síria, onde todo tipo de armamento mortal é usado. “Ao mesmo tempo, estamos cientes de relatos da oposição atacando o oeste de Aleppo”, diz Francisco, “mas a capacidade de destruição é tão diferente que simplesmente não há como comparar.”

MSF faz um apelo pelo fim dos bombardeios aéreos indiscriminados contra o leste de Aleppo, pela evacuação médica dos feridos e doentes, pela autorização da entrada de ajuda humanitária e pela garantia do direito das populações civis de fugir de áreas críticas durante conflitos.  


Os 35 médicos que restam no leste de Aleppo, entre eles sete cirurgiões, estão trabalhando no máximo de turnos possíveis nos oito hospitais remanescentes na região, já que sabem que suas habilidades são urgentemente necessárias em todos eles. “Os médicos que não podem retornar a Aleppo, nossas próprias equipes daqui, falam das equipes médicas e da população do leste de Aleppo com a mesma dor”, diz Francisco. "Eles dizem: ‘Eles sofrem lá, nós choramos aqui.’”

MSF apoia oito hospitais na cidade de Aleppo e mantém seis instalações médicas no norte da Síria, além de apoiar mais de 150 centros de saúde e hospitais no resto do país, muitos deles em áreas sitiadas.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Uma ideia insana

Caros amigos,

Uma empresa de mineração canadense é dona de uma concessão para pôr em prática uma ideia tão insana que pode vir a ser um desastre para o planeta: a primeira estação de mineração no fundo do oceano. 

Como todos nós sabemos, a mineração é uma atividade tóxica e devastadora para os ecossistemas terrestres. Imagine o que pode acontecer se as mineradoras começarem a cavar também o leito marinho em busca de minérios, sem nenhuma fiscalização? É a última coisa que nossos oceanos, já devastados, precisam! 

A boa notícia é que a empresa em questão está enfrentando dificuldades para arrecadar os fundos necessários para a empreitada. Vamos gerar um oceano de reclamações contra este projeto, de forma a afastar possíveis investidores e assim garantir que esta nova ameaça, algo terrível para o nosso meio ambiente, seja passageira. Clique no link abaixo e assine a petição, que será amplamente divulgada e enviada a todos os investidores em potencial:

https://secure.avaaz.org/po/png_nautilus_loc/?tyXHgbb

O local escolhido para a mina fica bem perto de um dos maiores tesouros do mundo, um rico ecossistema na costa da Papua Nova Guiné que apresenta uma grande variedade de fauna e flora marinhas, desde recifes de coral até baleias cachalotes. É um sinal do desastre que está por vir, se esta nova indústria devastadora não for impedida.

A mineradora em questão nunca fez operações dessa amplitude e já apresenta problemas financeiros. O projeto é arriscado. Se mostrarmos que ele é ainda mais perigoso ao destacar as significativas incertezas econômicas, poderemos não só conseguir deter a mina quanto garantir que toda a indústria da mineração seja advertida contra o abuso de nossos oceanos!

Em todo o planeta, lutamos para manter um equilíbrio saudável entre os seres humanos e a natureza. Ele é necessário para um desenvolvimento sustentável e, segundo os cientistas, para a nossa própria sobrevivência, bem como a de inúmeras outras espécies. É uma luta entre a ganância e a sensatez. Vamos garantir que a alternativa certa vence:

https://secure.avaaz.org/po/png_nautilus_loc/?tyXHgbb

Os cientistas que estudam os ecossistemas contam como tudo é extremamente interdependente. Nós, seres humanos, dependemos bastante de criaturas como o plâncton e ouriços do mar, desde as menores até as maiores. Muitas vezes, os seres humanos podem ser considerados um vírus, predadores do próprio ecossistema do qual dependem. Mas a Avaaz é um movimento formado por pessoas que procuram ser protetoras da natureza, a fim de eventualmente viver em harmonia com ela.

A partir dessa perspectiva, esta campanha faz parte do nosso papel de guardiões do ecossistema, de nossa função de proteger e servir o planeta maravilhoso que é a nossa casa. Nós da equipe Avaaz somos muito gratos por desempenhar esse papel juntos com todos os membros deste movimento mágico.

Um abraço cheio de esperança,

Ricken, Nell, Christoph, Lisa, Luis, Risalat e toda a equipe da Avaaz

MAIS INFORMAÇÕES 

Projeto de mineração submarina pode afundar antes de começar (O Globo) 
http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/projeto-de-mineracao-submarina-pode-afundar-antes-de-comecar-11669460 

Fontes hidrotermais nos oceanos são mais importantes do que se pensava (O Globo) 
http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/fontes-hidrotermais-nos-oceanos-sao-mais-importantes-do-que-se-pensava-19409596 

Mineração marinha: uma apropriação de terras invisível (National Geographic) (em inglês) 
http://voices.nationalgeographic.com/2016/07/21/deep-sea-mining-an-invisible-land-grab/ 

Nautilus Minerals considera financiamento alternativo (Reuters) (em inglês) 
http://www.reuters.com/article/idUSASC08VK8 

O oceano pode ser a nova corrida do ouro (National Geographic) (em inglês) 
http://news.nationalgeographic.com/2016/07/deep-sea-mining-five-facts/ 

Pequenas criaturas marinhas nos salvam do inferno na terra. Então por que as colocamos em risco? (Grist) (em inglês)
http://grist.org/science/tiny-sea-creatures-are-saving-us-from-hell-on-earth-so-why-are-we-endangering-them/

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Carta Aberta da FEBRAGEO sobre a venda a participação da Petrobras na área de Carcará do Pré-Sal

Publicado em agosto 4, 2016 por 

nota pública

VENDA DA PARTICIPAÇÃO DA PETROBRAS NA ÁREA DE CARCARÁ DO PRÉ-SAL: UM CRIME DE LESA-PÁTRIA
CARTA ABERTA AOS BRASILEIROS,
OS GEÓLOGOS BRASILEIROS, ATRAVÉS DE SUA FEDERAÇÃO – FEBRAGEO, DENUNCIAM O CRIME DE LESA-PÁTRIA COMETIDO PELO ATUAL GOVERNO E ATUAL PRESIDÊNCIA DA PETROBRAS AO VENDER, POR PREÇO ABSURDAMENTE AVILTADO, SUA PARTICIPAÇÃO INTEGRAL DE 66% NA ÁREA DE CARCARÁ, UMA DAS MAIS PROMISSORAS ÁREAS LOCALIZADAS NA BACIA DE SANTOS, PARA A EMPRESA ESTATAL NORUEGUESA, A STATOIL.
A FEBRAGEO PROCURARÁ BARRAR NA JUSTIÇA ESSE CRIME, AÇÃO PARA A QUAL PEDE O APOIO DE TODO O POVO BRASILEIRO E EM ESPECIAL DAS ASSOCIAÇÕES TÉCNICAS E TRABALHISTAS DIRETAMENTE LIGADAS À ÁREA GEOLÓGICA E PETROLÍFERA.
AJUDE-NOS A DIVULGAR A CARTA ABAIXO TRANSCRITA, EM QUE EXPLICAMOS OS DETALHES DA AÇÃO ANTIPATRIÓTICA COMETIDA PELA ATUAL PRESIDÊNCIA DA PETROBRAS.
Brasileiros,
A atual presidência da Petrobras findou por vender para a empresa estatal norueguesa Statoil sua participação integral de 66% na Área de Carcará, Bloco BM8, no Pré-Sal da Bacia de Santos, por 2,5 bilhões de dólares. Nesse bloco a Petrobras fez na Área de Carcará uma das melhores e maiores descobertas de hidrocarbonetos no Brasil, que está ainda precariamente delimitada, com apenas 3 poços perfurados.
É um excelente negócio para a estatal norueguesa Statoil e péssimo para a nossa estatal Petrobras, para o Brasil e nos mostra, claramente, a diferença como os governos tratam do patrimônio do seu povo.
Enquanto os noruegueses defendem os seus bens estratégicos mesmo os situados em terras estrangeiras, o atual governo brasileiro promove a desnacionalização do patrimônio de todos nós sob o pretexto de recapitalizar a Petrobras.
Em termos simplesmente comerciais pode-se dizer que o negócio realizado foi desastroso. Levando-se em conta as reservas declarados pelo comprador, entre 0, 7 e 1,2 bilhões de barris (bbl) e considerando o menor volume estimado pela Statoil, compradora, de 0,7 bilhões, a Petrobras receberá pela venda, a prazos longos, o total de U$ 3,57/bbl.
Pois bem, a própria Petrobras, em transação recente, pagou ao preço médio de U$ 8,51/bbl na aquisição onerosa das acumulações de Libra/Tupi. Ou seja, vai receber por Carcará aproximadamente 42% do valor que pagou, em local próximo, prolífico, adjacente e também não delimitado. Mesmo considerando a variação de preços de petróleo, a Statoil pagará menos que a Petrobras despendeu.
Agora, considerando os volumes recuperáveis em 2,0 bilhões de barris, os mais próximos da realidade, o preço a ser pago pela Statoil será de U$ 1,25/bbl, ou seja, 31% do que foi pago pela Petrobras no bloco vizinho, mesmo considerando os preços e valores corrigidos e depreciados segundo os valores atuais do petróleo.
Segundo dados publicados, cada um dos seus poços produzirá mais de 40.000 bbl/dia, número compatível ao dos melhores poços produtores do mundo, e em ótimas condições econômicas e técnicas de extração. A espessura média de rochas preenchidas dor óleo é a maior do Pré- Sal, sendo superior a 350 m. Ou seja, é uma área com potencial de produção muito superior e das mais fáceis de serem produzidas do que que todas as das demais áreas produtoras das bacias de Campos, Santos e Espírito Santo, e como descrito com um óleo de excelente qualidade.
Alguns especialistas que já mapearam a Bacia de Santos, preveem volumes potenciais de 6 bilhões de barris, apenas na acumulação de Carcará. Isso, repetimos, só no bloco BM-S-8, negociado sob veementes e vigorosos protestos.
Destaca-se como estranha e imprópria a política atual da Petrobras de valorar seus ativos exploratórios usando a expectativa mínima de sucesso ou só com volumes provados. Este procedimento está em desacordo com a maioria das companhias do mundo, que utilizam nos seus cálculos também os volumes considerados prováveis e possíveis quando ofertam um prospecto, valorizando sobremaneira o que vendem. Assim, o Brasil está desvalorizando ao máximo o seu patrimônio, assemelhando-se a pessoas que vendem barato o que têm quando estão em estado desesperador. No mundo negocial, encontrar o valor real de uma oferta é tarefa de quem compra, segundo as regras vigentes no mundo de negócios. Estamos inventando a roda.
Tal tipo de venda de patrimônio do povo brasileiro revela a postura de dirigentes mal intencionados e descomprometidos com um projeto de construção nacional. Não dá para fazer outro juízo. Comportam-se como únicos vendedores que depreciam seus próprios e valorosos ativos. É como vender por um milhão uma casa que vale 15 milhões.
Não se rejeita a venda de alguns ativos da Petrobras, sabemos que estamos em um mundo de negócios, mas discordamos veementemente da venda de quaisquer que sejam esses ativos a preços aviltados, em um momento de preços internacionais artificialmente baixos e petrolíferas descapitalizadas; a venda a qualquer preço no momento atual revela na verdade uma política de liquidação da própria Petrobras, uma desconstrução até muito mais desastrosa quanto a feita pela roubalheira tão exposta na mídia, da maior e mais rica empresa brasileira. Apesar da nefasta desvalorização pelos desvios, pelos baixos valores em dólar de seus ativos e pelo baixo valor em real desvalorizado de sua produção, a Petrobras, com crescentes reservas e produção, constitui um espetacular patrimônio nacional construído por mais de sessenta anos pela resistência e esforço da sociedade brasileira, e conduzido pela reconhecida competência técnica e dedicação de seus trabalhadores. Dilapidar orientadamente este patrimônio é uma ação criminosa, um terrível crime de Lesa-Pátria!
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE GEÓLOGOS – FEBRAGEO JOÃO CÉSAR DE FREITAS PINHEIRO
PRESIDENTE

in EcoDebate, 04/08/2016

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come.

Quando discutíamos o problema da contaminação ambiental de Paracatu pelo arsênio disseminado a partir da mineração de ouro, uma amiga resumiu para mim o pensamento de uma boa parcela da população de Paracatu: - “Não quero fazer exame de arsênio, porque se eu estiver contaminada terei que me mudar da cidade. Como iria sobreviver com minha família em outra cidade?”.

Será que é assim que você também pensa? Não teríamos outra alternativa, a não ser fechar olhos e ouvidos, fingir que nada está acontecendo?

Tem gente buscando outras alternativas, mesmo porque é difícil ficar quieto quando estão envolvidas as vidas dos nossos filhos e somos nós que decidimos por eles. Tem gente que está buscando reparação através de processos judiciais, mas aqui vamos apresentar um caso de quem teve que se mudar de Paracatu, por conta do envenenamento por arsênio, e resolveu entrar com uma ação judicial contra a mineradora.

Apresento a vocês um resumo do caso referido no Processo 16.4097-3, que corre na comarca de Paracatu, de uma moça de 19 anos que, durante a gestação, acabou parando na UTI e perdeu o feto. Seus problemas, de acordo com o laudo médico, começaram com 8 semanas de gravidez, quando foi atendida no Hospital Municipal de Paracatu, e percebeu fraqueza leve nas pernas, ao caminhar. Com a piora progressiva do quadro (vômitos e enjôos, perda de 30 kg, necessidade de cadeira de rodas, zumbido nos ouvidos) foi encaminhada ao Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB).

A documentação demonstra que ela passou 17 dias na UTI/HMIB de Brasília, diagnosticada com neuropatia hipocalêmica (paralisia flácida), que evoluiu para abortamento com 22 semanas de gestação. Devido a persistência de fraqueza em membros inferiores e superiores, além da incapacidade em deambular, foi encaminhada ao Setor de Neurologia do HBDF para investigação.
Não cansarei o leitor com todos os males que afligiram esta pessoa. O importante é ressaltar o que transcrevemos, a seguir, do laudo médico:

Durante a internação iniciado investigação, sendo realizado diversos exames complementares (segue abaixo resultados de exames e exame físico da paciente). Devido ao relato de residir próximo a mineradora, solicitado dosagem de Chumbo e Arsênlo, sendo esta última elevada em relação aos valores de referência. Caso discutido com equipe de Neurologia juntamente com o Centro de Referência em Toxicologla, sendo aventada como principal hipótese diagnóstico Polineuropatia secundária à intoxicação crônica por Arsênio. (...) Orientado à paciente e à familiares necessidade de interrupção de exposição ao provável agente tóxico.

Por recomendação médica, conforme orientação acima, a paciente mudou-se de Paracatu. Este é um caso bem documentado, porque a paciente foi tratada em Brasília, por médicos competentes e conscientes do problema da contaminação crônica pelo arsênio. Quantos casos semelhantes podemos ter em Paracatu e dos quais jamais teremos ciência?

Em 22/março deste ano realizou-se uma reunião, a portas fechadas, na Prefeitura de Paracatu, para discutir um erro grosseiro do CETEM no levantamento sobre a contaminação da população de Paracatu pelo arsênio. Os participantes foram notificados (mas até agora escondem da população) que os níveis de arsênio são, na verdade, quase cinco vezes o anunciado e que cerca de 1,4% da população está contaminada em níveis agudos. Assim, hoje sabemos que há uma probabilidade estatística da existirem cerca de 1.300 casos de contaminação aguda pelo arsênio em Paracatu e um sem-número de contaminados crônicos. Este fato foi denunciado em audiência pública na Câmara de Vereadores, mas nenhum jornal de Paracatu quis noticiá-la. Por que?

Existem outras alternativas além do “Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come”. Nossa alternativa tem sido “enfrentar o bicho”.


Ou vamos fingir que nada está acontecendo...?