Blog do Professor Márcio

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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Território e Poder em Paracatu - Parte IX

Estudando as relações entre a comunidade paracatuense e a mineradora RPM/Kinross
Márcio José dos Santos

Em 18 de março passado, fomos surpreendidos pela convocação de uma audiência pública para a apresentação de um estudo epidemiológico a respeito de contaminação por arsênio em Paracatu. Tomamos conhecimento dos resultados através da imprensa: não há contaminação ambiental em Paracatu e, muito menos, pessoas vitimizadas por ela. O jornal O Movimento foi o único a levantar questionamentos; de resto, a imprensa “chapa branca” deixou claro que a sociedade paracatuense pode ficar tranqüila, porque temos um meio ambiente saudável e puro, apesar de vivermos ao lado da maior mina de ouro a céu aberto do mundo.

Através de um vídeo que circula na Internet, temos os depoimentos de agentes públicos, que também asseguram a tranquilidade. O promotor de meio ambiente em Paracatu comentou: “Naquilo que estava a sociedade alarmada, com câncer, com arsênio causando câncer, isso a sociedade pode ficar tranqüila, porque nessa pesquisa não houve qualquer indicador que pudesse trazer preocupação.”

Quer dizer então, caro leitor, que foi tudo alarme falso? A confiarmos naquilo que foi apresentado, sim. Mas, siga comigo nos questionamentos seguintes.

A Prefeitura Municipal (administração anterior, 2010) contratou, para a realização do estudo epidemiológico a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE), instituição que não tem estrutura e nem quadros qualificados, e que jamais realizou tal tipo de trabalho. Por não ter competência para a realização de estudo epidemiológico, a FUNCATE fez parceria com o CETEM - Centro de Tecnologia Mineral – que também não tem competência nesta área, uma vez que sua especialidade são estudos de beneficiamento mineral. Daí, nosso primeiro questionamento: por que contratar empresas sem qualquer experiência documentada em estudos clínico-laboratoriais de intoxicação crônica de populações humanas por arsênio e outros contaminantes ambientais?

Entretanto, poderíamos relacionar dezenas de instituições brasileiras com experiência e competência em estudos epidemiológicos, em especial universidades públicas e a Fundação Osvaldo Cruz. Mas, a Prefeitura contratou, sem licitação e sem apresentação de orçamento detalhado, duas empresas sem competência nesta área. Uma delas, o CETEM, que desde o início da lavra na Mina Morro do Ouro em Paracatu até os dias atuais, tem prestado serviços como contratado da mineradora Rio Paracatu Mineração e sua sucessora Kinross. Essa relação histórica, direta, estreita, intensa e persistente entre Kinross e CETEM claramente o desqualifica para executar um estudo cujos resultados poderiam, em princípio, trazer enorme prejuízo à Kinross. O conflito de interesses aqui é evidente.

Pelo fato de contratar sem licitação, utilizando recursos do governo federal para a realização do estudo epidemiológico, o Ministério Público Federal abriu o Inquérito Civil Público número 1.22.006.000288/2010-20, ao qual responde a Prefeitura Municipal.

Nenhum de nós, cidadãos comuns de Paracatu, jamais teve acesso ao relatório do estudo epidemiológico. Esta é uma situação que fere um princípio da Ciência, porque qualquer trabalho que se pretenda científico tem que ser apresentado em fórum adequado para que seja analisado, contestado ou validado. Levado a uma “audiência de cartas marcadas” de um grupo disposto a acreditar, a “publicação” dos resultados e conclusões do estudo foi precipitada, ferindo a ética e o modus operandi da Ciência.

Também feriu o princípio da transparência da administração pública, pois o estudo foi contrato pela Prefeitura, usando recursos públicos, e, como tal, uma cópia de inteiro teor deveria ser disponibilizada ao público. Aí, então, poderíamos avaliá-lo, porque nesta questão do arsênio não somos apenas interessados, podemos também ser vítimas. Uma audiência pública com a presença de leigos, promotores desinformados e políticos sugestionados, sem documentos que possam ser analisados, não é fórum adequado para assunto desta relevância.

Pelo que pudemos saber a partir daquilo que foi divulgado, um dos procedimentos metodológicos da pesquisa – dosagens de arsênio em amostras de cabelo humano – não é confiável, porque estão sujeitas a erros sistemáticos e não permitem a reprodução das análises. Por isto, nenhum estudo epidemiológico clínico-laboratorial sério pode ser baseado em medições feitas a partir de amostras de cabelos, como se fez em Paracatu.

Uma situação intrigante é constatar que, enquanto a representante do CETEM na Audiência afirmou que “a população não está exposta a níveis de arsênio acima dos limites estabelecidos”, o prefeito municipal, entrevistado pela imprensa, disse que existem “áreas de contaminação a índices aceitáveis” e que “vamos começar a trabalhar para que esse índices comecem a baixar”. Ora, tem algo turvo nestas afirmações: o que seriam essas áreas de contaminação? Se estão contaminadas, isto seria aceitável?

Mas, as pérolas que reservamos para o final deste texto são os depoimentos de dois vereadores. Um deles afirmou: “Como comentei na Tribuna, são pessoas de má-fé que alarmam a nossa comunidade; nós, vereadores, estamos cobrando, e você em casa pode ficar tranqüilo, porque em relação ao arsênio nós estamos controlados”. Pois bem, senhor vereador, “pessoas de má-fé” são pessoas como eu, que exercem seu direito de cidadão de questionar o poder de mando que subjuga nossa cidade? Os vereadores estão cobrando – cobrando o quê? – se o senhor mais não faz que tentar ofender a quem cobra àqueles que contaminam para auferir lucros?

Outro vereador afirma, cheio de fé: “Hoje, aquele medo, aquele mito, foi de fato extinto, porque em pesquisa, com dados, a gente não questiona. Pesquisa a gente respeita e aceita.” A fé não comporta dúvida. Então, pesquisa é como um documento religioso, sagrado: não pode ser questionada e aceitá-la é um ato de fé.

Disciplina, obediência e dominação – são os aspectos do exercício do poder, de acordo com o sociólogo alemão Max Weber. Nada mais simbólico do poder da Kinross sobre a sociedade paracatuense do que a Audiência Pública de 18 de março.

Este texto foi publicado no jornal O Movimento, ed. 457, de 16 de maio a 20 de junho, pág. 2.

Território e Poder em Paracatu - Parte X

Estudando as relações entre a comunidade paracatuense e a mineradora RPM/Kinross
Márcio José dos Santos

Esta série de artigos chega ao seu final e a intenção é encerrá-la com uma auto-análise. O objetivo proposto no primeiro texto, publicado em agosto de 2013, foi expor as relações entre a mineradora RPM/Kinross e a sociedade paracatuense, para analisá-las à luz de teorias do poder. Mesmo reconhecendo as limitações deste autor, essas análises são pontos de vista importantes ao se considerar que não partem de um observador que tenta ser neutro, mas que expressa de maneira clara o seu próprio olhar, como forma de resistência contra a degradação ambiental de Paracatu.

Pela publicação desta série, pouquíssimas pessoas se manifestaram e algumas que o fizeram, quase como condolências, me perguntavam: - Você acha que muitas pessoas lêem seus artigos?; ou - Qual o tipo de leitor que lê os seus artigos? ou ainda, - Qual o efeito dos seus artigos?

Alguns leitores são o que se chama “formadores de opinião”: analisam, discutem, repercutem e tomam posição. Mesmo que tomem posição contrária, ninguém sai ileso de uma leitura em que os argumentos se apóiam na razão. E os artigos desta série têm sido quase o único contraponto à imensa e avassaladora propaganda da Kinross.

Durante quase um ano estivemos presentes na imprensa expondo a rede de poder da Kinross e as conseqüências nefastas da dominação imposta à sociedade paracatuense: os impactos sobre as populações dos bairros periféricos à mina, com as explosões, barulho e poeira tóxica; a demolição de bairros e expulsão de moradores; as omissões, a complacência ou até mesmo o conluio de órgãos e autoridades públicas em suas várias instâncias, como aqueles que se envolveram para maquinar um Termo de Ajustamento de Conduta da Kinross ou para contratar um estudo epidemiológico de fachada, à custa do erário público; o envolvimento da PMMG em serviços de escolta de carregamento de ouro, policiamento das áreas internas da mina e até mesmo a montagem de um absurdo e ilegal sistema via rádio, ponto a ponto, uma espécie de “telefone vermelho” entre a Kinross e a PMMG; os danos ambientais e patrimoniais resultantes do mau gerenciamento da estação de captação de água do São Domingos; a má gestão ambiental da poeira fugitiva da mina, com utilização de aspersão de água contaminada; os efluentes contendo arsênio, metais pesados e produtos químicos tóxicos que circulam em sistema aberto, ao contrário das barragens mais seguras; os efluentes contendo cianeto, que até hoje não passam por sistema de tratamento “detox”, para reduzir os custos do beneficiamento do minério e aumentar os lucros da empresa; a falta de transparência da mineradora, que esconde do público os resultados do monitoramento ambiental...

Como se vê, não é pouca coisa. Mas, vamos ser realistas: poucas pessoas lêem meus artigos e dos poucos que lêem somente alguns concordam com meus pontos de vista. Mas, para mim, não é isto que conta!

Sabe o que conta? Em menos de 20 anos, a mina Morro do Ouro estará esgotada. Restará, do ouro e do esplendor, uma cratera cheia de água tóxica, terras desoladas, ambiente contaminado e gente triste, velha, desiludida e conformada. Os jovens que ficarem por aqui ouvirão histórias fantásticas sobre o que foi levado, e alguns irão perguntar: - Ninguém brigou, ninguém protestou? Todos se iludiram? Não havia pessoas conscientes?

Sim, caro leitor, está aí uma coisa que conta: as gerações futuras certamente darão valor às vozes do passado, que não se calaram. É preciso ter um registro delas, para que não se percam, e é isto que estamos fazendo aqui.

Isto não seria possível sem o espaço democrático do jornal O Movimento. Em todos os artigos publicados, jamais houve uma palavra censurada ou questionamentos dos seus conteúdos. Portanto, tenho grande satisfação de expressar agradecimentos a O Movimento, a seus proprietários e colaboradores, que dão mostra da legítima liberdade de expressão, no dizer de George Orwell: “Liberdade de expressão é poder dizer aquilo que o outro não quer ouvir”.

Finalizando, para responder sobre o efeito desta série na sociedade, não teremos aqui uma resposta típica de jogador de futebol, cujo time está perdendo: - O jogo está difícil, mas no segundo tempo a gente ‘vamos’ lutar e virar o jogo! Não: este jogo é diferente, já se sabe desde o início quem vai ganhar e quem vai perder. A história é sempre contada pelos vencedores, e a mineradora Kinross continuará escrevendo a história da cidade. Pelo menos enquanto durar a ilusão dos perdedores, até que o ouro se esgote e a mineradora se vá. Mas, embora seja um jogo de cartas marcadas, não estamos aqui para entregar o jogo, sem luta e sem voz. 

Este texto foi publicado no jornal O Movimento, ed. 458, de 11 de junho a 20 de julho de 2014, pág. 2.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Contaminação por agrotóxicos no Brasil

Embrapa divulga estudo sobre contaminação por agrotóxicos no Brasil

O panorama da contaminação ambiental por agrotóxicos e nitrato de origem agrícola no Brasil, entre 1992 a 2011, foi analisado pelos pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP) Marco Gomes e Robson Barizon. A pesquisa está disponibilizado para download. Clique em AGROTÓXICOS
Segundo os autores, "o objetivo foi obter um diagnóstico mais próximo da realidade sobre a presença e contaminação do solo e da água para que sirva de alerta, e principalmente, de apoio às iniciativas direcionadas ao controle e uso racional dessas substâncias. A publicação também apresenta relatos de várias ocorrências nas cinco regiões brasileiras, com ênfase para as áreas rurais, em um cenário que, se ainda não é alarmante, remete à necessidade de reflexão e de tomada de atitude no sentido de evitar que se torne crítico".
Região Sudeste
Os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro  são os que mais apresentam casos de ocorrência de organoclorados, embora proibidos há alguns anos no Brasil. No caso do estado de São Paulo, estudos em sedimentos de 11 córregos da região central identificaram a presença de 16 organoclorados.
Em relação ao estado de Minas Gerais, um estudo na cidade de Viçosa revelou a presença dos organoclorados BHC e DDT em sedimentos do Ribeirão São Bartolomeu, além da presença de Heptacloro epóxido, Endrin e DDT.
Estudo realizado no Parque Estadual Terras Alto Ribeira (Petar) localizado no Vale do Ribeira, analisou amostras de água, sedimento e peixe no período das chuvas em janeiro de 2000 e seus resultados indicaram que a fauna do Petar está exposta a diferentes agrotóxicos que se encontram dissolvidos na água ou presentes no sedimento, sendo que dos 20 detectados, sete foram considerados altamente tóxicos para peixes e outros organismos aquáticos.
No estado do Rio de Janeiro as atividades agrícolas estão concentradas na região serrana, com a presença constante de situações de risco de contaminação ambiental por agrotóxicos. Outro estudo detectou concentrações de agrotóxicos anticolinesterásicos em valores até oito vezes acima do limite permitido pela legislação brasileira em dois pontos de um importante curso hídrico regional.
Quando se trata de aquíferos menos profundos, a exemplo do Bauru, que é do tipo livre, onde a recarga é direta, os riscos de contaminação são elevados.
Região Sul
No estado do Rio Grande do Sul, estudos mostram a presença de glifosato em lavouras de arroz irrigado com água da Lagoa Mirim em concentrações acima do valor máximo permitido pela Agência de Proteção Ambiental Americana (USEPA). Outras regiões orizícolas também apresentam resíduos de agrotóxicos em seus mananciais e em todas verifica-se a presença de ao menos um agrotóxico ocorrente em águas subterrâneas. Nas regiões da Planície Costeira Interna à Laguna dos Patos e Santa Catarina pode-se averiguar que a totalidade das amostras monitoradas continha a presença de ao menos um agrotóxico; as regiões da Fronteira Oeste, Depressão Central e Planície Costeira Externa à Laguna dos Patos apresentaram 89% das amostras contaminadas e as regiões da Campanha e Sul do Rio Grande do Sul apresentaram 78 e 63%, respectivamente, das amostras contaminadas com, ao menos, um agrotóxico.
Regiões Norte e Nordeste
Na região amazônica, o comprometimento da qualidade da água, de uma forma global, está diretamente relacionado à possibilidade do avanço da agricultura com uso mais intensivo de agroquímicos, principalmente na cultura da soja.
Na região norte os riscos de contaminação da água subterrânea concentram-se, principalmente, na porção nordeste do Pará, onde a monocultura de soja avança sobre todos os tipos de solos. Este cenário coloca o Aquífero Itapecuru (livre), em situação de alerta, uma vez que as condições atuais de ocupação e manejo do solo indicam possíveis interferências. Ainda no estado do Pará, existe um cenário preocupante na região de Igarapé-Açu, especificamente na Bacia Hidrográfica do Igarapé Cumaru, onde se utiliza uma carga expressiva de agrotóxicos sem controle, vários deles com alto potencial de lixiviação e de transformação em compostos mais tóxicos do que as moléculas originais. Trabalhos na região de Igarapé-Açu, por exemplo, indicaram que o inseticida/acaricida dimetoato pode chegar ao lençol freático e comprometer a qualidade de água do aquífero freático do Grupo Barreiras.
Na região nordeste o cenário torna-se ainda mais crítico, principalmente devido aos sistemas de produção de frutas para exportação que engloba toda a região do Vale do Submédio Rio São Francisco. Outra região que merece atenção é a de ocorrência dos aquíferos Serra Grande (predominantemente confinado) e Poti-Piauí (livre). Na Bahia, o cenário mais crítico está relacionado ao Aquífero Urucuia, região oeste do Estado.

Região Centro-Oeste
Com relação às águas subterrâneas foram consideradas três áreas. A primeira delas refere-se às porções de recarga do Aquífero Guarani nas Nascentes do Araguaia. A segunda, localizada no estado do Mato Grosso, apresentou uma redução entre 40 e 50% dos teores de matéria orgânica dos solos cultivados em relação aos solos virgens, devido ao uso e manejo do solo ao longo de 12 anos nas nascentes do rio Paraguai (Alto Pantanal). Ao mesmo tempo, tais áreas foram submetidas a cultivos intensivos com exigências, tanto de adubos e fertilizantes, quanto de agrotóxicos. Além disso, esta região também apresenta risco às águas superficiais. Diferentes ingredientes ativos têm sido detectados em amostras da região nordeste da bacia.
A terceira região localiza-se na porção leste do estado de Mato Grosso, onde verificou-se o potencial de contaminação de águas superficiais e subterrâneas em uma  área agrícola em Primavera do Leste. Estudos desenvolvidos em áreas sob cultivo intensivo de algodão, milho e soja indicaram a presença de alguns herbicidas na água subterrânea, normalmente usada para consumo humano.
"Assim, explicam os autores, verifica-se que resíduos de agrotóxicos e de nitratos são frequentemente detectados nesses escassos monitoramentos. Na maior parte dos casos relatados, as concentrações encontradas, seja no solo, água ou em organismos, normalmente estiveram abaixo dos valores críticos estabelecidos por agências ambientais da Europa e Estados Unidos. Entretanto, os resultados devem ser analisados com cautela, pois como já enfatizado, as informações disponíveis não permitem estabelecer um panorama assertivo a respeito da contaminação do solo e da água por agroquímicos.
Avanços
Avanços importantes no cenário regulatório ocorreram nesses 20 anos pós Rio+, com destaque para a publicação da Lei 9.974, de 2000, que estabeleceu diretrizes para o recolhimento das embalagens vazias de agrotóxicos e a promulgação do Decreto 4.074, de 2002, que regulamenta a Lei 7.802/89, importante documento jurídico que abordou temas relevantes relacionados à saúde humana e à proteção ambiental, com destaque para a criação do Sistema de Informação sobre Agrotóxicos (SIA), introdução dos produtos equivalentes, proibição de produtos sem antídotos, criação do Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos (CTA), além do estabelecimento da exigência legal visando a implementação da avaliação de risco destes compostos, tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente.
A avaliação do risco ambiental, utilizando modelos matemáticos, é de extrema importância, pois permite a avaliação de um conjunto de cenários que não seria possível por meio exclusivamente de monitoramentos.

Fonte: Portal Brasil - EMBRAPA | 24/06/14 - 15:52

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Pensamento do dia

Saiba que o dia de ontem é um cheque cancelado; o amanhã é uma nota promissória e hoje é o único dinheiro vivo que você tem. Então, gaste-o amplamente.

Kay Lions

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Cidade de Yellowknife, Canadá: Arsênio Suficiente para Matar Todo Mundo no Planeta

By Meghan Pearson abr 23 2014


Os territórios do noroeste do Canadá são, em geral, desconsiderados pelas pessoas e tomados como uma grande tundra gélida no meio do nada. Mas agora é uma boa hora para começar a prestar atenção na situação lá em cima. Atualmente, Yellowknife está em cima de 237 mil toneladas de arsênio – o suficiente para matar toda a população humana de nosso planeta algumas vezes.

A maior parte desse cancerígeno altamente solúvel em água está em câmaras subterrâneas especiais, debaixo de uma antiga mina de ouro esgotada chamada Giant Mine, nos arredores da cidade. O arsênico é um subproduto de operações de mineração que começaram no final dos anos 1940, pouco depois da descoberta de ouro no norte. A mineração continuou até 2004, quando a companhia devolveu a mina esgotada para o governo federal, juntamente com um monte de pó de trióxido de arsênio como um belo presente de “obrigado por tudo e se fode aí”.

Por anos, a produção de arsênio da mina local (cerca de 10 mil quilos por dia) não foi regulamentada até que, em 1951, uma criança da Primeira Nação Dene Yellowknives morreu depois de comer neve envenenada na área. Ficou claro que o governo precisava fazer alguma coisa. Mas em vez de fechar as operações, eles acharam que o melhor a fazer era coletar a grande quantidade da poeira venenosa em câmaras subterrâneas, torcendo para a fada do trióxido de arsênio aparecer e levar tudo embora. Eles deram $750 para a família da criança e decidiram esperar.

No entanto, com as estruturas se desintegrando e a preocupação cada vez maior com um vazamento no suprimento local de água, chegou a hora de fazer alguma coisa. Agora que o governo canadense está mais velho e sábio, ele decidiu finalmente achar uma solução razoável para esse probleminha venenoso: eles vão congelar as 237 mil toneladas de trióxido de arsênio no subsolo – por toda a eternidade.

“Como podemos garantir que os sistemas humanos vão continuar a manter algo que requer engenharia sofisticada e monitoramento para funcionar para sempre? É loucura”, argumenta Kevin O'Reilly, ativista da Northern Alternatives. “Não lembramos como as piramides foram construídas cinco mil anos atrás. Como vamos saber se daqui a cinco mil anos ainda existirão pessoas neste planeta que saberão como manter essa coisa congelada? Isso é muito irresponsável.”

O governo esperava originalmente que o frio local se encarregasse de congelar o arsênio naturalmente, apesar dos avisos dos engenheiros, já nos anos 1950, de que esse não seria o caso. Depois de décadas de espera infrutífera, o plano do governo agora é alcançar isso imitando a maneira como rinques de patinação são mantidos congelados. Ou seja: se eles injetarem continuamente líquido refrigerante no solo, o arsênio, teoricamente, continuará congelado.

O congelamento deve custar pelo menos $1 bilhão inicialmente, depois mais $2 milhões por ano.


“Acho que eles deviam trazer tudo para cima, processá-lo em uma forma menos tóxica de arsênio e colocá-lo no fundo da mina”, disse Kevin. Mas essa solução é vista como cara demais para ser implementada.

O plano de congelar o arsênio encontrou a oposição uniforme de todos os grupos envolvidos com a Giant Mine no início. O Mackenzie Valley Review Board, um tribunal independente que visa proporcionar uma maior participação aos povos aborígenes locais, propôs então um acordo ambiental, que deve ser aprovado pelo ministro de Ottawa em breve. O acordo especifica inúmeras emendas, estabelecendo principalmente que o “para sempre” seja reduzido para apenas 100 anos, além de mais financiamento para pesquisas que encontrem uma solução mais sustentável para a mina.

“O projeto deixou de ter uma oposição uniforme e passou a ter o apoio de muitos grupos”, disse Alan Ehrilich, membro do Mackenzie Valley Review Board.

A cidade de Yellowknife, além da Primeira Nação Dene local, aprovou, de forma unânime, uma moção para aceitar as emendas do tribunal Mackenzie Valley, já que isso traz um pouco mais de esperança no futuro da área. E isso é ainda mais importante quando você coloca a decisão no contexto de quanto a Giant Mine tem afetado as terras do povo Dene, sob as quais a mina se localiza.

O descuido com que a mina foi operada nos primeiros anos de produção teve repercussões profundas no povo Dene. Sem nenhum controle de poluição, os problemas causados foram se amontoando. No final da vida da mina, em 2004, cerca de 27 quilos de arsênio eram jogados no ar todos os dias. O resultado final foi a contaminação completa das terras Dene.

“Eles sempre dizem que sua terra foi destruída”, disse Kevin. “A área de Baker Creek era famosa pela pesca e pelos frutos silvestres. Hoje, é quase impossível achar uma amora em Yellowknife. Elas foram incineradas pelas emissões de dióxido de enxofre da mina.”

“Eles costumavam cultivar a área da mina”, continuou Alan. “Também era uma das rotas de caça de caribou. Hoje, esse é um dos lugares mais contaminados do Canadá.”

Não é surpresa, então, que eles estejam preocupados em como essa limpeza vai afetá-los daqui para frente. Muitas construções contaminadas teriam que ser exumadas e destruídas numa tentativa de descontaminar a área. O solo teria que ser removido, o que poderia criar poeira tóxica. A população Dene teme como isso vai afetá-la física e culturalmente, além de suas práticas culturais chaves, que têm laços profundos com a terra.

“Acho fundamental a necessidade de uma desculpa pública e uma compensação à Primeira Nação Dene Yellowknives pelo que foi feito à terra deles”, disse Kevin. “Tem que haver o reconhecimento de que algo ruim aconteceu e que [o governo] fará o melhor possível para que isso nunca mais aconteça.”

quarta-feira, 19 de março de 2014

Entusiasmo

Neste dia de sua vida creio que Deus quer que você saiba ...  
... que o entusiasmo significa tudo. Não apenas um pouco de tudo. 

Se você estiver envolvido em algum tipo de projeto agora, ou no desenvolvimento de qualquer esforço pessoal, o seu entusiasmo (ou a falta dele) vai determinar diretamente o sucesso desse empreendimento.  

Se você não está animado com a essência do seu ser por isto, deixe-o agora. Mas, se você está animado com a essência do seu ser, demonstre isto em tudo o que você pensar, disser e fizer.