Blog do Professor Márcio

Seja bem vindo. Gosto de compartilhar ideias e sua visita é uma contribuição para isto. Volte sempre!

terça-feira, 2 de março de 2010

A vida é sagrada

“Ensinemos nossos filhos a venerar o mundo e a consciência que o ilumina. Façamo-los perceber o caráter sagrado, mágico da vida: esse inimaginável emaranhado de todas as formas e todas as histórias possíveis que se originam infinitamente no espaço unitário da consciência. É o fim único da educação tornar a consciência humana consciente dela mesma e de sua disposição fundamental: sua expansão onidirecional, sua liberdade, seu amor por todas as formas e todos os seres”.
Pierre Lévy

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O que é a vida?

O que é a vida?
É a luz de um vagalume na noite,
É a ofegante respiração de um búfalo no inverno,
É como a pequena sombra que desliza sobre a erva
e se perde no por do sol.

Chefe Crawfoot (ìndio Algonquiano), 1890.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sorte? Azar?

Um velho e seu filho trabalhavam numa pequena fazenda e dispunham de um único cavalo para puxar o arado. Um dia o cavalo fugiu.
- Que lástima! - solidarizaram-se os vizinhos. Que azar!
- Quem pode dizer se é sorte ou azar? - replicou o fazendeiro.

Uma semana depois, o cavalo voltou das montanhas, trazendo cinco éguas selvagens para o estábulo.
- Que sorte! – exclamaram os vizinhos.
- Sorte? Azar? Quem pode dizer? – respondeu o velho.

No dia seguinte, o filho tentando domar uma das éguas, caiu e quebrou a perna.
- Que horror! Quanto azar!
Azar? Sorte?

O exército passou por todas as fazendas recrutando os jovens para a guerra. O filho do fazendeiro não teria utilidade para eles, por isso não foi levado.
Bom? Mau?

Extraído de:
MILLMAN, Dan. O caminho do guerreiro pacífico. São Paulo: Pensamento, 2003.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

APARECIDA

Muitas vezes acontece de fracassarmos na realização de objetivos imediatos e, nessa busca, os acontecimentos nos levam a caminhos inusitados, como se houvesse um roteiro preparado para que o trilhássemos. Esta é uma idéia que me acorre quando penso na história dos pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves, que num dia de outubro de 1717 lançavam sua rede de pesca no Rio Paraíba do Sul. Muitas tentativas e nenhum peixe, a pescaria era um fracasso. Mas, eis que João Alves lançou a rede e nas suas malhas veio presa uma pequena imagem, um corpo sem a cabeça. Lançada novamente, a rede apanhou a cabeça da imagem, identificada como Nossa Senhora da Conceição. O relato histórico assinala que, daí em diante, a pesca foi abundante, mas isto não importa, porque o que eles realmente pescaram transcendeu para muito além dos seus objetivos.

É provável que aquela imagem tenha sido descartada por alguém, justamente porque ela havia se partido, assim como fazemos com os objetos que a nosso juízo perderam o seu valor.
Porém, os humildes pescadores não identificaram um objeto rejeitado, mas um sinal divino e a manifestação de um milagre. Naquele momento, eles poderiam tê-lo devolvido às águas, mas as suas mãos o seguraram com a força da fé: ali estava a imagem da mãe de Jesus, com todo o poder espiritual que ela simboliza para os crentes, que se entregava partida, como se pedisse proteção e carinho! (Ao lado, uma foto da imagem, feita em 1924.)

Eis a manifestação do poder da fé: justamente na hora em que parece estarmos fracassando em nossos objetivos é quando mais dele precisamos, justamente para descobrir o significado transcendental de nossas vidas, perceber, enxergar além dos objetivos imediatos que nos toldam a visão.

A história que se passou depois é, de maneira geral, conhecida do povo brasileiro: relatos de milagre, de devoção e do carinho especial que sentimos por esta santa brasileira. Sim, é como se a mãe de Jesus tivesse renascido em nossas águas, cidadã brasileira, e assumido a proteção do Brasil. De tal modo se tornou brasileira que adquiriu uma cor morena, acanelada, resultado da picumã de velas e candeeiros dos devotos que oravam a seus pés. E existe também a história que poucos conhecem: a imagem simples foi coroada de ouro pela Princesa Isabel, vestida com um manto luxuoso com o advento da República e destruída por um fanático de uma seita religiosa hostil, em 1978. O que se tem hoje é resultado de um trabalho de recuperação de uma artista plástica.

Há muito tempo eu desejava conhecer o Santuário de Aparecida, não porque acho importante estar diante de uma imagem, mas para estar presente naquele local de peregrinação, que fascina e atrai tanta gente em busca de esperança e consolo. Um lugar assim não é um lugar qualquer! Então, como brasileiro, cristão, no dizer do compositor Renato Teixeira, “como não sei rezar, só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar”.

A imponência da Basílica realmente impressiona, com sua torre de 100 m e uma cúpula de 70 m de altura. Se considerarmos que ela comporta 75 mil pessoas (às vezes este número é superado!), a altura não é exagerada, porque o calor produzido pela multidão leva algumas pessoas ao desmaio.

Visitei o Santuário de Aparecida neste Natal, junto com minha filha Helga e o Juan, seu marido, porque sabia que seria uma visita tranquila.
É um espaço bonito, mas despojado; não há luxos ou ostentações, tudo muito simples, sóbrio e moderno. Mas o que interessa a todo visitante é exatamente estar de frente à imagem que inflama o imaginário e a fé dos brasileiros. Percorri as quatro naves que formam o corpo da Basílica, dispostas como uma cruz grega em torno da cúpula central. Um enorme crucifixo pende no ar, no centro exato da estrutura, sustentado por cabos presos na cúpula. De maneira diferente do comum das igrejas católicas, não há imagens de santos ao longo das paredes. Por fim, meu olhar foi atraído por um pequeno círculo dourado ao fundo e, somente quando estava bem próximo, pude perceber que se tratava da imagem de N. S. Aparecida, colocada em um pavimento superior.

O contraste entre a Basílica e a imagem de devoção é enorme: enquanto a cúpula se ergue a 70 m, a imagem tem apenas 40 cm de altura. Colocada em um nicho na parede, protegido por vidro especial, é o contraste entre o minúsculo e o colossal.
Nos poucos minutos em que lá estive, à parte meu agradecimento e pedido de proteção, passou no meu pensamento o significado e a importância da mãe de Jesus para a cristandade. Uma mulher humilde que soube cumprir a enorme responsabilidade a ela destinada e que passou por uma terrível prova e um sofrimento indescritível: ver seu filho torturado e morto de maneira ignominiosa e ainda assim bendizer a Deus. Um espírito iluminado, que compreende nossas dores, mesmo que sejam incomparavelmente menores do que aquelas que suportou neste mundo. Nas minhas conjecturas há um simbolismo nisto tudo: a imagem colocada ao fundo, seu tamanho minúsculo, sua cor morena, seu resgate das águas, sua sobrevivência ao atentado e a serena humildade que dela irradia.

Nossa Senhora Aparecida é mesmo uma Santa Brasileira!

(Por uma Graça alcançada, Nossa Senhora, Mãe de Jesus, aceita o meu preito de gratidão!)

Marcadores: aparecida; espiritualidade; nossa senhora; religião; santuário; .

sábado, 19 de dezembro de 2009

Viver bem

A coisa mais fácil do mundo é encontrar diferenças. Difícil é harmonizá-las.
É indispensável fazer com que cada dia de nossa vida tenha um sentido. E que nosso trabalho tenha um propósito dignificante para cada um de nós. É sempre possível mudar. Mas vencer emoções e pensamentos negativos requer disciplina e tempo. Comece agora.

Dalai Lama

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Busca da Felicidade - O Caminho do Meio (4ª Parte)

"
Tudo o que somos é resultado do que temos pensado (criação mental). Se um homem fala ou age com uma mente impura, o sofrimento acompanha-o tão perto como a roda segue a pata do boi que puxa o carro.
Se o homem fala ou age com a mente pura, a felicidade o acompanha como sua sombra inseparável." (Dhammapada 1-2.)


Iniciamos nosso estudo com a constatação da existência do sofrimento e da insatisfação devido à desarmonia entre o eu pessoal condicionado e o mundo real não-condicionado, encontramos sua causa no desejo ou ambição e vimos que é possível promover a cessação do sofrimento e da insatisfatoriedade pela erradicação do desejo. Mas, qual o caminho, qual o método para conseguir este objetivo?

Tendo experimentado os extremos do prazer e do sofrimento físicos e reconhecendo a inutilidade deles, Buda descobriu por experiência própria o Caminho do Meio que condensa o espírito da moral budista, conhecido como Caminho Óctuplo. São oito atitudes que devem ser seguidas no dia-a-dia, instrumentos práticos para uma vida equilibrada, poderosas forças morais e mentais, e não há nelas nada de místico. A finalidade destes oito fatores é facilitar o aperfeiçoamento dos três elementos essenciais no treinamento da disciplina budista, que são: Conduta ética: Moralidade; Disciplina mental: Concentração e Meditação e Introspecção: Sabedoria.

A “Conduta Ética: Moralidade” é baseada na ampla concepção de amor universal e compaixão para com todos os seres; não somente os humanos, mas todos os seres vivos. Para desenvolvê-la são necessárias três atitudes: Palavra Correta, Ação Correta e Meio de Vida Correto.

1°) PALAVRA CORRETA, ou linguagem pura, é a que traduz honestidade, verdade, paz, carinho; que é cortês, agradável, benéfica, útil, moderada e sensível. Você deve apenas falar a verdade e fomentar conversas que causem harmonia e progresso. Deve conversar produtivamente, usando palavras leves, elogiosas e construtivas. Significa abstenção das mentiras, difamação, calúnia e de todas as palavras capazes de provocar ódio, inimizade, desunião e desarmonia entre indivíduos ou grupos sociais. A palavra correta é dirigida pelo pensamento correto e ação correta.

"Melhor que mil palavras sem sentido, é uma só palavra sensata, capaz de trazer paz àquele que a ouve." (Dhammapada 100.)

2.°) AÇÃO CORRETA, ou conduta pura, tem por fim cultivar uma conduta moral honrada e pacífica e ajudar os outros na mesma finalidade. Suas ações devem preservar os seres vivos - homens, animais e vegetais. Você deve pegar apenas aquilo que lhe pertence. Deve ser fiel ao companheiro amoroso. Deve ingerir apenas alimentos e bebidas que façam bem à sua saúde e não fazer uso de tóxicos que perturbam a mente, ou fazem perder a consciência. A ação correta é dirigida pelo pensamento correto.

3.°) MEIO DE VIDA CORRETO, ou meios de existência puros, conduzem o indivíduo à aquisição do bem-estar material e espiritual próprio, ajudando os demais na mesma finalidade. Significa que se deverá evitar ganhar a vida numa profissão ou ocupação que possa ser nociva a outros seres vivos, sejam homens ou animais. O meio de vida correto é dirigido pelo pensamento correto.

Quaisquer sistemas de moral e ética estão enquadrados nesses três aspectos: palavra correta, ação correta e meio de vida correto. Sem esses três fatores, nenhum desenvolvimento espiritual será possível.

A “Disciplina Mental: Concentração” compreende os três seguintes fatores do Caminho Óctuplo: Esforço Correto, Plena Atenção ou Vigilância Correta e Concentração Correta, por meio dos quais se alcança o desenvolvimento mental e a visão interior (intuitiva).

4.°) ESFORÇO CORRETO, ou aplicação pura, é a arma que possuímos para enfrentar corretamente a luta contra o mal. Consta do seguinte: esforço de evitar e destruir os pensamentos negativos já existentes; enérgica vontade de impedir o aparecimento de pensamentos maus e nocivos; fazer surgir pensamentos bons e sadios ainda não existentes e cultivá-los até à perfeição.

5.°) PLENA ATENÇÃO CORRETA, ou Vigilância Correta, consiste numa atenção vigilante com tomada de consciência nas atividades do corpo, nas sensações, nos diferentes estados da mente (nas idéias, pensamentos, etc.), e na investigação da Doutrina (Verdade sobre o nosso ser). A Plena Atenção mental correta é a vigia da mente, que está sempre observando, porque a mente, por si só, vagueia a todo instante.

6.°) CONCENTRAÇÃO CORRETA é a condição indispensável para todo e qualquer desenvolvimento espiritual. Nossa mente está constantemente dispersa; quando concentrada num objetivo único, ela se torna poderosa e com isso desenvolve a sabedoria interior. Desenvolver a concentração requer que você abra mão do desejo passional e egoísta pelos prazeres sensual e material. Que cultive a alegria, a tranquilidade e o amor. Que se mantenha ativo, disposto, relaxado e despreocupado, certo do seu objetivo de vida.

A “Introspecção: Sabedoria” consta dos dois fatores restantes: o Pensamento Correto e a Correta Compreensão.

7.°) PENSAMENTO CORRETO, ou pensamento puro, é o correto pensar com sabedoria, com equanimidade e contemplação. Ele vem das ações meritórias e deve ser mantido em nossa mente o máximo de tempo possível. É o pensamento dirigido no sentido da renúncia, do desapego, da compaixão, do amor universal, da não-violência, estendendo-se a todos os seres vivos. Desenvolvendo estas qualidades, eliminamos todo pensamento egoísta de apego, má vontade, ódio, violência ou crueldade, seja de ordem individual, social ou política, que é fruto da ignorância. O pensamento correto não aparece quando existem pensamentos ligados aos apegos dos sentidos.

8.°) CORRETA COMPREENSÃO é a compreensão que, pela contemplação pura, permite reconhecer e penetrar na realidade da existência da insatisfação universal, criada pela desarmonia entre os seres e o mundo exterior. A compreensão verdadeiramente profunda consiste em ver uma coisa em sua verdadeira natureza, sem nome ou rótulo. Esta "penetração" só é possível quando a mente está livre de toda impureza e quando completamente desenvolvida na prática da meditação.

Como se viu, aqui foi apresentado um modo de vida que pode ser seguido, praticado e desenvolvido por qualquer indivíduo, através da disciplina do corpo, da palavra e da mente. Isto nada tem a ver com crenças, orações, adorações, ou cerimônias. Neste sentido, o Caminho do Meio não é uma religião; é um caminho que conduz à compreensão da realidade, à liberdade, à felicidade e à paz, mediante a perfeição moral, intelectual e espiritual.

Durante quarenta e cinco anos o Buda repetiu: "O meu ensinamento é sobre o sofrimento e sua transformação".

A semente do sofrimento dentro de você pode ser muito forte, mas não espere o sofrimento terminar para permitir-se ser feliz. Somos resultado daquilo que pensamos, por isso é perigoso manter pensamentos negativos. Nossas atitudes positivas quase sempre são seguidas por outras negativas: após o “sim”, nossa mente expressa o “mas”, duvidando de nossa capacidade de realização.

Seguindo o Caminho do Meio, adquirimos confiança e poder, tomando decisões equilibradas e firmes. A decisão firme elimina a negatividade automaticamente e transforma a escuridão em luz. Por isso, escutar os ensinamentos de um Mestre é tão precioso, porque expressa nossa decisão de aprender e de querer mudar.

Concluímos aqui mais uma etapa de nossa "Busca da Felicidade", compreendendo o aspecto impermanente de todas as coisas, a causa do sofrimento e o modo de extinguí-lo. Para finalizar nossa busca, citaremos uma frase de Buda que poderia resumir aquilo que aprendemos:

- Os dons são grandes; as meditações e exercícios religiosos pacificam a mente; a compreensão da grande verdade leva ao Nirvana; mas, maior que tudo é a gentileza amorosa.

Com certeza nos enriquecemos com os valiosos ensinamentos de Gautama Buda e estamos prontos para continuar nossa busca através dos ensinamentos de outro Grande Mestre: Jesus. Será nossa próxima postagem.

Os conceitos budistas aqui expressados foram extraídos de:

- SILVA, Georges da & HOMENKO, Rita. Budismo: Psicologia do Autoconhecimento. São Paulo: Ed. Pensamento, 1990.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Inhotim

A gente passa anos preso ao nosso estreito mundo, trabalhando como se a vida tivesse que se resumir nisto, quando muito fazendo planos de passear nas férias em alguma praia poluída e superlotada. É, parece que isto é o máximo! Porém, de uns tempos para cá larguei esse sonho besta de mineiro e decidi conhecer o meu Estado natal e cada dia mais me surpreendo com a diversidade e a beleza do interior de Minas Gerais.

Acho que poucos dos meus leitores terão ouvido falar de Inhotim. Interessante, tem gente vindo do exterior para conhecer esse fabuloso local e nós, mineiros, o ignoramos.



Inhotim é um centro de arte contemporânea (vou chamá-lo de parque), idealizado por um empresário milionário – Bernardo Paz – há uns 25 anos. A instituição é privada, mas sem fins lucrativos. Fica a 3 km de Brumadinho e a cerca de 60 km de Belo Horizonte. Localiza-se numa região de mineração, mas tem a sua área rigorosamente cuidada sob o aspecto ecológico, com um projeto botânico-paisagístico sugerido por Roberto Burle Marx incrustado na mata nativa. Ali o meio ambiente convive em interação com a arte, e ambos formam uma base para o desenvolvimento de pesquisa, inovação científica e educação.




Desde que a mídia tem veiculado matérias sobre o lugar e sua arte, milhares de pessoas têm acorrido a Inhotim.

Pasme, no dia da minha visita jogaram Atlético e Cruzeiro, era véspera do Dia da Criança, mas lá deveria haver mais de 10 mil pessoas. Estimo isto pela quantidade de carros estacionados, embora o parque seja tão grande que parecia estar quase vazio.

Na entrada, a gente logo se impressiona com o acervo botânico, especialmente a variedade de palmeiras. Ali está uma das maiores coleções botânicas do mundo, misturando espécies nativas, espécies tropicais raras e uma reserva florestal que faz parte do bioma da Mata Atlântica. Entre as coleções botânicas, destacam-se as de Aráceas (antúrio, copo-de-leite, comigo-ninguém-pode etc.) e a de Orquídeas do tipo Vanda.

A entrada custa R$25,00 (terça e quinta), é gratuita na quarta-feira (exceto feriado), mas vale R$40,00 de sexta a domingo e também nos feriados. A meia-entrada é para crianças de 6 a 12 anos, idosos acima de 60 anos, estudantes identificados, professores das redes formais pública e privada de ensino identificados, É baratíssima! 

Para ter mais informações sobre visitas consulte http://www.inhotim.org.br/.

Alguém já chamou Inhotim de “um pedacinho do céu”, e não está longe daquilo que muitos imaginam o céu: um lugar prazeroso, que encanta os olhos e amaina o espírito. A recepção dos funcionários é primorosa, os banheiros são do tipo hotel cinco estrelas, existem boas lanchonetes, um restaurante internacional e, se você, precisar, eles lhe oferecem guarda-chuva e carrinho de bebê. Tudo é preparado para que você passe o dia admirando arte e paisagem, pássaros cantando, cisnes nos lagos e se refresque à sombra de frondosas árvores.

As obras de arte contemporânea estão espalhadas em luxuosos e amplos pavilhões, com indicação de cerca de 500 obras de mais de 100 artistas, brasileiros e estrangeiros, promovendo assim livre trânsito entre a arte produzida no Brasil e no exterior. Você não consegue ver todas em um dia. Nós, brasileiros, de modo geral não temos contato com a arte contemporânea, de maneira que elas precisam ser vistas sem pressa, ou você vai achar uma coisa simplesmente sem graça e sem sentido.


Caminhando entre as árvores, você também se deparará com obras expostas a céu aberto. A arte contemporânea não é um produto acabado, ela tenta de alguma maneira interagir com o observador. Dê uma de mineiro, puxe uma palha, coce a cabeça e fique imaginando o que é aquilo à sua frente, ou o que significa aquele bote virado de borco, pendurado no galho de uma árvore.

No momento, a arte que mais atrai visitantes é um furo de sonda de mais de 200 metros, no fundo do qual foram colocados microfones que captam as vibrações sonoras da Terra. Essas vibrações são amplificadas no ambiente e produzem um barulho parecido com aquele dos monges budistas repetindo os seus mantras. Para mim, que sou geólogo, foi como se eu tivesse ouvido a voz do planeta repetindo o seu interminável e poderoso mantra: cuiiiiidemdeeemiiin! Mas vou avisando, talvez você possa se decepcionar: antes de entrar nesse “templo da Terra”, cruzei com três rapazes e um deles dizia: - Nunca vi coisa mais sem graça!

Pois é, ainda não estamos preparados para a arte contemporânea. O conhecimento artístico apóia-se na sensibilidade. Ah, sensibilidade... nem todos nascem com ela; mas podemos desenvolvê-la através da educação. Enquanto vamos engolindo enlatados culturais aqui despejados pelo sistema capitalista, a sensibilidade permanece embotada, brutalizada.

Por isto mesmo Inhotim é importante, pelo seu trabalho sócio-educativo. Ali está a maior coleção de arte contemporânea do mundo e uma das paisagens mais belas do Brasil, simplesmente ali, na nossa Minas Gerais. Fiquei emocionado ao ver tantos pais levando os seus filhos, oferecendo como presente do Dia das Crianças um passeio cultural onde eles podem aprender e expandir seus horizontes.

Inhotim não é um lugar para uma visita solitária, vá com alguém ou com uma turma. Você desfrutará um momento mágico, maravilhoso.